Nem todo amor que dói é amor. Às vezes é renúncia demais para alguém que nem deveria ter pedido tanto. Às vezes é silêncio demais para uma voz que nasceu para existir. Às vezes é carga demais para mãos que já estavam cansadas antes mesmo de começar.
O coração vai acreditando que amar é aceitar tudo, suportar tudo, calar tudo. Vai pensando que ser boa é desaparecer. Que ser pacífica é se apagar. Que ser misericordiosa é aceitar o que machuca.
Mas amor não deveria pedir sua identidade como pagamento. Não deveria exigir que você se anule para que o outro se sinta inteiro. Não deveria pedir que seus limites morram para que alguém viva confortável.
“Amar não é se apagar; é permanecer com respeito por si e pelo outro.” (inspirado poeticamente em Marcos 12:31)
Amar sem se anular não é egoísmo. É saúde. É responsabilidade com a alma. É fidelidade ao propósito de existir como alguém que Deus pensou com intenção, não como alguém que precisa desaparecer para ser amada.
Limites não afastam pessoas — limites revelam quem consegue permanecer com respeito. Limites são fronteiras de dignidade. São portas, não muros. São maneiras de dizer: “eu posso amar você, mas não ao custo de desaparecer.”
“Guardai o coração como quem guarda um lugar sagrado.” (inspirado poeticamente em Provérbios 4:23)
A fé não pede que você aceite tudo. A fé não manda você aguentar o insuportável. A fé não pede que você entregue a própria voz para manter uma aparência de paz. Respeito por si mesma não é rebeldia — é responsabilidade.
Amar sem se anular é lembrar que Deus não pede o fim de quem você é, mas o florescer. Não pede perfeição, pede verdade. Não pede apagares a si mesma, pede que caminhe em honestidade, com passos possíveis.